O projeto da superplanta

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O projeto da superplanta
de 30/01/2013

cana-de-açúcar do futuro deverá produzir o dobro, armazenar mais açúcar numa estrutura mais facilmente degradável, resistir a doenças e herbicidas, precisar de menos água para crescer e ser adaptada a um clima mais quente e a um ar com mais gás carbônico (CO2). Possivelmente, também servirá como uma fábrica de substâncias que não produz normalmente. Pelo menos no que depender dos pesquisadores que se reuniram em março na sede da FAPESP, em São Paulo, durante o workshop Bioen on Sugarcane Improvement (apresentações disponíveis em www.fapesp.br/bioen). “O futuro parece empolgante e as perspectivas luminosas”, disse otimista o norte-americano Paul Moore, radicado há 42 anos no Havaí e um dos ícones da ciência da cana-de-açúcar. A realidade, porém, indica que há um longo caminho a percorrer antes de chegar à cana-de-açúcar ideal.
Os prognósticos desse pesquisador do Centro de Pesquisa Agrícola do Havaí, caso se concretizem, têm consequên cias de peso. Para os  especialistas, uma cana mais eficiente é uma contribuição importante para a luta contra o aquecimento global, o desmatamento e a poluição  atmosférica.
Também poderá fazer frente à crise energética causada por limitações ao uso de derivados de petróleo e pelo aumento da população no planeta.
Moore contou que hoje vários fatores limitam a produtividade da cana- de-açúcar: características do solo, doenças, insetos e clima. Se todas as
condições estiverem perfeitas, o que estabelece um limite para a produtividade da planta é sua própria fisiologia: a cana só consegue armazenar cerca de 6% da energia solar que incide sobre ela. Mesmo assim, a produtividade em condições experimentais não passa de  metade desse potencial teórico, o que indica que seria possível aumentar a capacidade de produção melhorando as condições de cultivo. Para ele, o ideal é ir além: pensar simultaneamente nos parâmetros ambientais e nos limites intrínsecos da planta, entender como ela funciona desde os genes até as relações com o ambiente externo e, quem sabe, aumentar inclusive a produtividade máxima. Uma tarefa gigantesca, mas ele se diz otimista porque acompanhou os avanços científicos das últimas décadas. “Quando comecei minha carreira no Havaí, há 42 anos, não se sabia nada sobre os genes da cana. Não se sabia nem como estudar um genoma tão complexo.
Demos muitos passos desde então”, afirmou. Rosanne Casu, da Organização Australiana de Pesquisa Científica e Industrial (Csiro), e Derek Watt, do Instituto de Pesquisa para o Açúcar da África do Sul (Sasri), concordam. Eles participaram de alguns dos primeiros esforços para desvendar o DNA da cana, cujos resultados foram incluídos num banco internacional de dados genéticos (GenBank) entre 1996 e 1998 pela África do Sul, e pela Austrália e  pelo Brasil (com o projeto Sucest, financiado pela FAPESP) em 2003. Passados alguns anos dos projetos de sequenciamento dos genes expressos da cana-de-açúcar, ainda está longe de ser possível dizer que se conhece a genética dessa planta. “Ainda estamos encontrando genes e tentando  descobrir a função de cada um deles”, conta Rosanne. Os pesquisadores usam genomas mais conhecidos de plantas aparentadas, como o do arroz e do sorgo, como base. Mas a cana tem um genoma bem mais complicado, com cerca de dez cópias de cada gene em vez das duas habituais na maior parte dos organismos

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