Tecnologia Biocombustiveis e genes Açúcares

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Tecnologia Biocombustiveis e genes Açúcares
de 30/01/2013

Os mais velhos diriam que a cana-de-açúcar está sendo virada do avesso tal é o volume de estudos genéticos, fisiológicos e agronômicos a que está sendo submetida nos últimos anos.

O que se quer é conhecer mais profundamente a planta e suas peculiaridades com o intuito de aumentar a produtividade dessa gramínea trazida pelos portugueses ao Brasil ainda no século XVI.

A meta final é produzir mais etanol em um mesmo hectare de terra. Para isso contam também as pesquisas para tornar a cana mais adaptada à chamada segunda geração de produção de álcool,quando enzimas vão aproveitar os açúcares que são recuperados do bagaço de cana para a formação de uma espécie de sopa e então produzirmais biocombustível. Assim, pesquisadores de várias instituições brasileiras estão com um olho na pesquisa básica e outro lá na frente, no futuro do processo industrial de produção de etanol.

O avanço no conhecimento científico começou em 1999 com o lançamento do Genoma Cana, financiado pela FAPESP, e o último resultado das pesquisas confirma que o colmo e as folhas da cana possuem mais açúcares, substâncias primordiais na elaboração do etanol, na porção hemicelulose do que na celulose, um conhecimento que pode mudar os rumos da produção de etanol de segunda geração no futuro. Fizemos estudos na parede celular tanto docolmo quanto das folhas da cana que mostraram a presença de cerca de 30% de açúcares na celulose, 50% na hemicelulose, além de 10% de pectinas.

A tecnologia que se está desenhando hoje para a futura segunda geração de etanol se baseia apenas na celulose, enquanto os polímeros de açúcares das hemiceluloses, que contêm açúcares complexos como os arabinoxilanos, betaglucanos e xiloglucanos, são deixados de lado, além das pectinas, que juntos representam 70% dos açúcares na parede celular da cana”, diz Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Bioetanol, que reúne 31 laboratórios em cinco estados brasileiros. Nas paredes celulares da cana, as hemiceluloses e pectinas, localizadas entre as microfibrilas que são aglomerados de moléculas de celulose, possuem muitos açúcares compostos por cinco carbonos e por isso não são palatáveis para as leveduras (Saccharomyces cerevisiae) usadas

na fermentação do caldo de cana. Elas estão acostumadas com a sacarose, formada por glicose e frutose, encontrada no suco de cana, ou ainda na glicose da celulose e de algumas das hemiceluloses, que têm seis carbonos.

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